segunda-feira, 30 de junho de 2014

Dia atípico na capital paulista

Hoje, segunda-feira, eu quis comemorar meu aniversário de uma maneira bastante inusitada! Deixei minha intuição falar mais alto e fui ao Parque do Ibirapuera, sem relógio e sem acesso a internet. Chegando lá deitei na grama, fiquei observando as crianças correndo e chutando a bola, depois olhei para o céu e como estava bonito! Aluguei uma bicicleta e dei várias voltas no parque, fazia anos que não me sentia com tamanha paz e sentimento de liberdade. É incrível como o contato com a natureza faz bem!
As pessoas deveriam sair de casa pelo menos uma vez no ano sem relógio e sem celular. Isso esvazia a cabeça e ainda lava a alma!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A paixão do Futebol - Por Carlos Carreño Bertomeu

Texto escrito e sugerido por Carlos Carreño Bertomeu, Crusp68.

O jogo de futebol dura noventa minutos. Para os fanáticos, a espera de mais três ou sete dias para ver o time jogar de novo, seria uma tortura, se não existissem os comentaristas esportivos. Graças a eles, os torcedores podem passar os dias vendo dezenas de vezes o mesmo lance, de diversos ângulos diferentes, e ouvem os comentários eruditos dos especialistas, que conseguem transformar dez segundos de ação em horas de debates inflamados.

Coisa parecida acontece com o chamado mensalão. Do mais importante, as sentenças já foram definidas todas, menos uma parte que ainda vai ser julgada nos embargos infringentes. O fundamental é que, ao contrário do que se alardeava,( incluindo a presença de soldados venezuelanos a aguardar ordens de iniciar guerra ), tudo se passou como deveria. Sentenças foram procedidas e estão sendo aplicadas. A maioria dos réus já está na cadeia. E um grupo reduzido aguarda nela o julgamento dos embargos, para saber o resultado final.

Mas os comentaristas, tal como no futebol, continuam a produzir análises sobre os lances passados e presentes. Se agora não há jogo, sempre há os bastidores. O técnico Fulano sai do clube X? O jogador Beltrano está com dores na coxa? O réu Sicrano está com radinho de pilha na cela? O réu Silvano está fingindo dores, para ir ao hospital?

Ora, não se pode criticar, por esses exageros, que são legítimos, os torcedores, pela paixão, os comentaristas, porque vivem disso, e os dirigentes esportivos, porque precisam provar sempre que só os dos outros times são desonestos.


Mas, no caso da política brasileira, chama a tenção que, enquanto a goiabada recebida pelo Dirceu continua dando manchete na mídia e nos jornais, outras notícias mais importantes sumiram do noticiário, ou são eventual, rápida e discretamente expostas, para que o silêncio não fique excessivamente descarado.

Onde está o interesse da “grande mídia responsável” pelo escândalo do Metrô paulista? Quando, finalmente um, só um desses “grande jornalistas independentes” vai dizer o óbvio: Que seria impossível que um esquema gigantesco como esse, operando continuamente por 15 anos não poderia existir sem a condescendência de pessoas do alto escalão? Quando os jornalistas, tão lépidos em investigar petistas vão fazer algo semelhante com malandros tucanos?

Quando os indignados com a goiabada do Dirceu, que criam a notícia ou a repassam, vão indignar-se com o arquivamento do processo do Metrô pelo Procurador da República...por engano?

Onde foi parar o helicóptero do Perrela, com meia tonelada de cocaína? Repararam que não se fala mais isso? Que nenhum jornalista foi fuçar o assunto desse deputado, com amigos poderosos?

Vai demorar para se ver notícias sobre isso. Porque, como no futebol, não impera aqui a razão, nem a honesta e justa indignação contra o crime, mas a manipulação pelos comentaristas, e a paixão da torcida.

O crime só aparece nos jornais, quando interessa aos que os controlam.

sábado, 2 de novembro de 2013

Premiação - Sangue Novo no Jornalismo Paranaense



Estive na última quarta-feira, 30 de outubro, na cidade de Curitiba. E que bela cidade!!! A capital do Paraná é muito limpa, arborizada e cercada de belos parques e restaurantes. Foi neste dia, no Memorial de Curitiba, às 20h, q fui premiada como primeira colocada no Prêmio Sangue Novo no Jornalismo Paranaense, categoria Monografia. O trabalho Caso Pinheirinho: Distorções e Manipulação na Cobertura da Folha de S. Paulo teve seu reconhecimento em nível Estadual e eu estive imensamente feliz! Foi uma surpresa maravilhosa e muito marcante.

Durante a premiação me lembrei muito de meus pais e de meu irmão. O quanto eles foram importantes em todo o meu percurso acadêmico. Mesmo distante de casa, eles me apoiaram e sempre me deram forças para seguir com meu sonho. Obrigada meus queridos pelo estímulo em todos os momentos bons e ruins.

Estiveram comigo no Memorial Curitiba, minha querida prima Gabriela Bevilaqua e meu primo Levon Bevilaqua. Obrigada por estarem comigo! Em seguida fomos jantar no bairro Santa Felicidade, região cercada de deliciosos restaurantes de cozinha italiana.

Obrigada Universidade Estadual de Londrina (UEL), obrigada Paraná e um agradecimento especial ao meu orientador Fábio Silveira, ao líder da Comunidade, Valdir Martins e ao pesquisador Inácio Dias, os dois últimos concederam entrevista durante a minha pesquisa acadêmica.

É isso!

domingo, 25 de agosto de 2013

A declaração de Manning sobre sua condenação

Por Chelsea Manning (ex Bradley Manning) | Tradução: Rute Bevilaqua e Peter Caplan

As decisões que adotei em 2010 foram tomadas em preocupação com o meu país e com o mundo em que vivemos. Desde os trágicos eventos de onze de setembro, estamos em guerra – com um inimigo que optou por não nos enfrentar numa batalha tradicional. Devido a este fato, tivemos de adotar novos métodos para combater os riscos que nós e nosso modo de vida correm.

Inicialmente, concordei com estes métodos e escolhi ser voluntário para ajudar a defender meu país. Apenas quando eu estava no Iraque, lendo relatos militares secretos todos os dias, comecei a questionar a moralidade do que estávamos fazendo. Então, dei-me conta de que, em nossos esforços para enfrentar os riscos impostos pelo inimigo, esquecemos nossa humanidade. Escolhemos conscientemente desvalorizar a vida humana, tanto no Iraque quanto no Afeganistão. Quando enfrentamos àqueles que entendemos como inimigos, nós algumas vezes matamos civis inocentes. Sempre que matávamos civis inocentes, ao invés de aceitar a responsabilidade por nossa conduta, preferíamos nos esconder atrás do véu da segurança nacional e informações sigilosas, para evitar qualquer prestação de contas pública.

Em nosso zelo para matar o inimigo, nós internamente discutíamos a definição de tortura. Prendemos indivíduos em Guantanamo por anos, sem os devidos processos. Inexplicavelmente, fazíamos vista grossa às torturas e execuções praticadas pelo governo do Iraque. E engolíamos muitas outras coisas em nome da nossa guerra ao terror.

Patriotismo é frequentemente o grito de exaltação, que se lança quando atos moralmente questionáveis são defendidos por aqueles no poder. Quando estes gritos de patriotismo abafam quaisquer intenções baseadas na lógica, um soldado americano é normalmente mandado para realizar uma missão mal- concebida.

Nossa nação viveu momentos igualmente sombrios para as virtudes da democracia: a Trilha das Lágrimas [remoção dos índios da parte sudeste dos EUA em 1831], a decisão Dred Scott [apoiando a escravidão em 1857], o macartismo, os campos de concentração de japoneses residentes na América [durante a segunda guerra mundial], para nomear uns poucos. Estou confiante de que muitas de nossas ações desde o onze de setembro serão vistas de forma similar. Como disse uma vez Howard Zinn, “Não existe uma bandeira grande o suficiente para cobrir a vergonha de matar gente inocente”.

Eu entendo que minhas ações violaram a lei, e lamento se prejudicaram alguém, ou prejudicaram os Estados Unidos. Nunca desejei prejudicar ninguém: somente quis ajudar as pessoas. Quando optei por divulgar informações sigilosas, eu o fiz por amor ao meu país e um sentido de dever para com outros.

Se vocês negarem meu pedido de perdão, cumprirei minha pena sabendo que algumas vezes temos que pagar um preço alto para viver numa sociedade livre. Eu pagarei este preço, se isso significar que podemos ter um país que seja verdadeiramente concebido na liberdade e dedicado à proposição de que todos os homens e mulheres são iguais.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Folha, pare de "mimimis"

O comentário de Marcos Brogna no Painel do Leitor da Folha de S. Paulo desta sexta-feira traduz exatamente o meu pensamento. Esses dias também fui impedida de comentar no Portal. Lá eles diziam: "Seu perfil não está aprovado, você não pode comentar".
Folha, pare de "mimimis"!

domingo, 23 de junho de 2013

A flor que rompe o asfalto

A diversidade de insatisfeitos é muito grande em São Paulo e em diversas outras grandes cidades do país, mas em qual direção estamos indo?



Nas últimas semanas participei de várias manifestações na capital paulista e observei o que as pessoas diziam nas ruas, no trabalho, no restaurante, no elevador e em tantos outros lugares. Descrevo aqui um breve relato com as minhas observações nesses últimos dias em São Paulo.

Os cartazes nas últimas manifestações diziam:

Diga não à PEC 37!
O petróleo é nosso!!
Polícia, não me bata, me proteja!
Queremos escolas e hospitais no padrão FIFA!
Tira a tarifa do busão e investe na educação!
Minhas mães não precisam de cura Feliciano. Você não representa minha família!
Eu quero a cura para a corrupção, transporte, saúde e educação!
O professor merece o salário de um deputado e o prestígio de um jogador.

E as pessoas diziam:

Vem pra rua, vem contra o aumento!
Enfia os 0,20 no SUS
Que coincidência! Não tem polícia, não tem violência!
Mãos para o alto: 3,20 é um assalto!
Vamos acordar! O professor vale mais que o Neymar!

A diversidade de insatisfeitos é muito grande em São Paulo e em diversas outras grandes cidades do país, mas em qual direção estamos indo? A complexidade do que está acontecendo é grande demais para um esclarecimento imediato.

Depois que senti de perto a truculência policial, com balas de borracha, bombas de efeito “moral” e gás de pimenta, comecei a questionar ainda mais as atitudes do Estado. No dia 13 de junho, foram várias pessoas feridas, vi jornalistas, estudantes e diversas pessoas correndo na rua, procurando um lugar seguro para ficar. Um fotógrafo da agência Futura Press, agora tem menos de 5% de chance de voltar a enxergar por causa de uma bala de borracha atirada por um policial militar naquele dia.

Na última segunda-feira (17), estive em outra grande manifestação, no Largo da Batata e nunca vi tanta gente reunida. Veja o vídeo que gravei e postei no youtube ainda quando estava no metrô Faria Lima. Neste dia estavam ali mais de 100 mil pessoas concentradas nas ruas, ao contrário do número que foi divulgado pela grande imprensa. Eu só tive consciência de que ali tinham bem mais que 65 mil pessoas – número divulgado pelo Datafolha, quando vi o reflexo dos manifestantes na fachada de um grande prédio espelhado e pelas fotos do alto dos prédios que foram publicadas na internet.

Já na sexta-feira (21), a presidente Dilma fez o seu pronunciamento e neste mesmo dia uma pesquisa Datafolha apontou que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, é o candidato preferido dos manifestantes para suceder a presidente em 2014. O que devemos fazer é ter um questionamento sobre essas pesquisas e também sobre as matérias que são divulgadas. Quem querem derrubar e quem querem colocar no lugar? Não sejamos manipulados por determinados veículos.

Eu acredito que as manifestações continuarão pelas próximas semanas e eu apoio. Estes dias me lembrei de uma música e de uma poesia que definem o momento atual. Quem não conhece “Ideologia” do Cazuza? E “A flor e a náusea” de Drummond?

Ideologia

Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito
Ah! eu nem acredito...

Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver...

A Flor e a náusea

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu...

É isso!

Texto: Beatriz M. Bevilaqua
Crédito da foto: Beatriz M. Bevilaqua

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Um dia atípico: São Paulo em tempos de guerra

Tudo o que eu queria era voltar pra casa em paz, e no entanto engoli gás lacrimogêneo e senti de perto o medo, a insegurança e o desespero generalizado



Hoje São Paulo estava especialmente cinza, muito cinza! Esta quinta-feira, 13 de junho, passei por momentos que nunca pensei passar em toda a minha vida. Foi realmente assustador, eu estava na escola de inglês, alí na Consolação e de repente escutamos gritos e mais gritos da rua. Olhei da janela e vi a tropa de choque, eu quis sair para ver de perto o que estava acontecendo. Vi pessoas com máscaras de gás lacrimogêneo e muita gritaria de todos os lados.
Meu coração disparava a cada nova bomba, a cada novo grito... Era assustador! Vi um homem querendo pichar a escola e um outro dizendo:
- Não, não é esse o propósito de nossa manifestação! Não faça isso!
Um outro quis botar fogo em um monte de lixo que tinha próximo da escola. E um outro manifestante disse:
- Não é esse o propósito da nossa manifestação! Pare, pare!
Enquanto isso a polícia jogava bomba e mais bomba. Meus olhos e a língua começavam a arder e a respiração ficava mais difícil. Entrei de volta para a escola, mas escutei um grito, mais forte e mais intenso de desespero. Era uma garota jovem que estava lá fora. Pedi para o recepcionista abrir a porta e deixar a moça entrar. Todos estavam com muito medo lá dentro, mas lá fora era ainda pior.
A menina gritava:
- Me deixem entrar! Me deixem entrar! Eu sou só uma estudante, me deixem entrar!
A jovem tossia bastante e relatou o que houve. Segundo Manoela Cabral, 22 anos, ela estava saindo da faculdade quando começou a confusão. “Fecharam a rua e eu fiquei sem saber para onde ir”, disse ela trêmula enquanto me explicava a situação.
Ao mesmo tempo eu ouvia outras pessoas gritarem lá fora:
- Mas o que é isso? Eu sou só um professor e quero buscar o meu filho na escola. Que droga!
A escola de inglês parou e os estudantes estavam paralisados. Vimos pela janela a tropa de choque, a cavalaria da PM e mais e mais bombas. Eu liguei para a minha tia, avisei que não teria hora para voltar. Esperei mais uns 15, 20 minutos e arrisquei. Voltei para a rua e segui em direção ao metrô Paulista. No caminho eu via muito lixo na rua, sentia o cheiro forte de gás lacrimogêneo, muitas pedras nas calçadas, cacos de vidro nas ruas, fezes de cavalo, o olhar assustado das pessoas, o mendigo que não podia dormir, a mãe com a filha no colo correndo.
Cheguei enfim ao metrô, com muito medo, angústia, raiva e sei lá mais quantos mil sentimentos de indignação e susto. Já estava com as mãos formigando e com falta de ar pelo cheiro forte que inalei durante o caminho. Depois de um dia inteiro de trabalho e ainda passar por este tipo de sufoco é realmente angustiante. Será possível que essa é ainda a minha São Paulo?

Texto: Beatriz M. Bevilaqua
Crédito da foto: UOL - Divulgação